segunda-feira, 26 de abril de 2010

[...]- Mas, Nelly, mesmo que eu o derrubasse vinte vezes, isto não o tornaria menos belo ou eu mais bonito. Eu queria ter cabelos louros e a pele alva, andar bem vestido e bem comportado como ele e ter a sorte de ser tão rico quanto ele vai ser!
- E chamar por mamãe a toda hora - acrescentei - e tremer se um camponesinho levantar o braço contra você e ficar fechado em casa um dia inteiro só por causa de um aguaceiro. Oh! Heathcliff, você está dando mostras de falta de pensar! Venha aqui para diante do espelho e eu lhe mostrarei o que você deve desejar ser. Vê essas duas linhas entre seus olhos, essas espessas sobrancelhas que, em vez de se arquearem, se abaixam no meio, e esses dois negros demônios, tão profundamente ocultos, que nunca abrem atrevidamente suas janelas, mas espreitam por baixo delas, como espias do diabo? Esforce-se por fazer desaparecerem essas rugas sinistras, por abrir francamente as pálpebras e mudar os demônios em anjos confiantes e inocentes, livres da suspeita e da dúvida e vendo sempre amigos onde não tenham certeza de estar em presença de inimigos. Não tome o aspecto de um vira-lata vicioso que parece saber que os pontapés que lhe dão são merecidos e que, por isso, odeia todo mundo, tanto quanto aquele que o maltrata.
- Em outros termos, devo desejar ter os grandes olhos azuis e a fronte lisa de Edgar Linton. Desejo-os... mais isto não me ajudará a tê-los.
- Um bom coração ajudará-lo-á a ter um bom rosto, meu rapaz, mesmo que você fosse um verdadeiro negro. E um mau dará ao mais belo rosto o aspecto de alguma coisa pior que a feiúra. [...]

VII - O Morro dos Ventos Uivantes

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